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Homenagem a Paulo Miranda: Guardião da Alma Amazônida

  • Foto do escritor: Francisco Weyl
    Francisco Weyl
  • 25 de fev.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 25 de fev.


 



Nestes tempos em que tantos se esforçam para apagar aqueles que vieram antes de nós, lembrar de Paulo Miranda é um ato de resistência. Seu trabalho no interior da Amazônia, em lugares muitas vezes esquecidos, reafirma a importância de fazer cinema onde a câmera é também uma arma contra o esquecimento. Sua vida e obra mostram que o cinema pode ser raiz e fruto, memória e futuro.

O X FICCA, enquanto festival contracorrente, orgulha-se de homenagear Paulo Miranda, enquanto guardião da alma parauara amazônida. Celebramos sua coragem, sua arte e sua incansável luta por um mundo em que a cultura seja uma ponte e nunca uma barreira.

Paulo Miranda acreditava no poder da cultura como ferramenta de transformação social. Sua presença era constante – em reuniões, em articulações, no gesto de unir estados amazônicos sob uma mesma bandeira de luta e esperança. Como vice-presidente do Conselho Estadual de Cultura do Pará, foi um defensor de políticas culturais includentes e da efetivação da Lei Paulo Gustavo, hoje transformada em Política Nacional.

Era um cineasta negro, cuja postura política e compromisso com a resistência amazônica ecoavam nos seus filmes. Paulo Miranda foi um cronista das margens, um poeta das águas marajoaras.

Sua filmografia, marcada por títulos como O Ajuntador de Cacos e Missão Mapuá, é um legado ao cinema que se realiza em nossa Região . Ele nos convidava a revisitar nossa própria ancestralidade, a compreender o encontro de Isabelle e Boyrá como um retrato da resistência que molda o espírito da Amazônia.

Ele se tornou parte do tecido social, trabalhando lado a lado com a juventude local, despertando talentos, estimulando o audiovisual como ferramenta de resistência e dando voz a quem, muitas vezes, era silenciado.

Sua relação com o Marajó transformou-se em um ato político, um compromisso com a identidade amazônica. Paulo sabia que a história da ocupação lusitana e as estratégias de resistência indígena não estão confinadas ao passado – elas vivem na luta contemporânea por sobrevivência e dignidade.

Ao lembrarmos de Paulo Miranda, reverenciamos sua existência. Ele era um homem que soube transformar a realidade em arte e a arte em um espelho do que somos. Sua câmera revelava o sonho do povo de sua terra. Que seu legado continue a inspirar gerações futuras e que sua memória permaneça viva como a floresta que ele tanto amou.

Por estes e outros motivos, saudamos Paulo Miranda em nossa X edição.

A obra de Paulo Miranda encontra-se disponível na plataforma independente Amazônia Play, criada por ele mesmo. O registro é gratuito pelo link Filmes | Amazôniaplay (amazoniaplay.com.br) .

 

Francisco Weyl

Criador, diretor e curador do FICCA


 

 

 

 

 
 
 

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